Tecnologia invisível e vigilância voluntária

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Hoje estamos vivenciando uma absorção desenfreada de tecnologias e linguagens novas a cada momento. Com intuito de facilitar e versatilizar processos, automatizamos tecnologicamente nossa vida com o foco voltado para a otimização do uso do nosso tempo ou melhorias em nosso espaço. 

Todos nós sentimos o impacto do foi aclamada por sociólogos na década de 90 como a “Era da informação” , podemos presenciar seus benefícios e impactos, que está moldando uma sociedade virtual altamente conectada.

Os impactos são perceptíveis, com nossa percepção ocupada com milhares de estímulos, temos dificuldades para gerenciar tudo o que se passa pela vida cotidiano tornando esta necessidade de gerenciamento mais um estímulo para desenvolver e criar um ciclo de dependência por tecnologias. Este uso desenfreado, interefere em diversos fatores humanos, criam idéias modificam identidades e valores apresentando novos conceitos de espaço e tempo.

Toda esta infra-estrutura tecnológica traz consigo milhares de oportunidades, melhorias e agilidades para nosso dia-a-dia, mas tanta informação tem um preço: o consumo de tempo. Este apresentando-se cada vez mais escasso fruto de um bombardeamento de informações que nos consome nos obrigando a encontrar maneiras mais rápidas de executarmos nossas responsabilidades, demandando mais consumo de tempo. Desta maneira, acabamos entrando em uma espécie de ciclo que conta com a busca de informações, e maneiras mais rápidas de consumi-las, nos tornando altamente dependentes de tecnologias e multi-tarefa.

  A sociedade conectada, proporciona benefícios que estendem-se as mais diversas áreas humanas, possibilitando aplicações que podem ser exploradas profundamente. Idéias brotam das cabeças dos desenvolvedores e brilham aos olhos de consumidores e investidores por todo o mundo.

O suporte tecnológico

Mark Weiser, em um artigo nominado: “The computer for the 21st Century” criou um termo que a cada dia faz mas sentido para nós a Computação Ubíqua (ou do inglês, ubiquitous computing). Este termo engloba o conceito de uma imersão da nossa sociedade em meios tecnológicos da maneira menos visível possível, ou seja, objetos do cotidiano transformados em objetos cientes sobre seus estados através de sensores e locais físicos do cotidiano transformados em instalações tecnológicas dotadas de diversos padrões ligadas à funcionalidades da maneira mais oculta possível. Isto é determinado como tecnologia invisível, o termo advem pelo fato que o foco do usuário, estará voltado a utilização do artefato ou ambiente sem notar toda a tecnologia que está envolvida no processo - coletando e processando dados para trazer os mais variados tipos de vantagem para os seus usuários, da maneira mais passiva possível.

A computação Ubíqua é uma área que se utiliza de conceitos de dois processos vigentes: 1) A Mobilidade, advinda da utilização de sistemas como Computação Móvel - Celular com acesso a Internet, laptops e sistemas de compartilhamento via Internet - que permitem o transporte dos dados com a possibilidade de mante-los dentro de uma rede e a 2) Computação Pervasiva, onde a tecnologia está presente no ambiente, coletando uma serie de dados vindo dos mais diversos sensores ou tecnologias, permitindo a extratificação, controle e processamento dos dados das maneiras mais variadas possíveis, assim, todas as tecnologias não teriam barreiras entre sí podendo se auto configurar para utilização da maneira mais simples para o usuário.

Condiz dizer que a Computação Ubíqua já é uma realidade e já permitem aos mais leigos, gozar dos benefícios da tecnologia a qualquer momento e sem perceber toda a complexidade inserida no processo. Seja através de celulares modernos, ou simples tocadores de música.

O conceito criado por Weiser, ganha força a cada ano com o surgimento e divulgação de novas tecnologias, que ganham em um ritmo cada vez mais acelerado, novos contextos de utilização, maior praticidade e menor custo.

Já possuímos tecnologia o suficiente para integrar qualquer objeto à rede através de uma tecnologia de rotulação eletrônica, denominada tag (etiqueta) RFID, que são pequenos chips que trabalham com o seu próprio suprimento de energia e possuem um tamanho e custo muito reduzido. Estas etiquetas que podem facilmente ser aclopadas a objetos ou embalagens, esta tag, carrega uma identificação única e que pode ser associada com qualquer tipo de dado em um sistema, a partir de uma leitura simples através de ondas de rádio.

Assim todo objeto pode estar inserido na rede. Este é um dos marcos para o surgimento do que é denominado de Smart Object, objeto que se reconhece na rede podendo transmitir para a rede, sobre suas condições de uso, localização, ou estado.

Identificações como estas permitem que qualquer objeto tenha o seu próprio registro ou identificação na rede.

Hoje estamos observando a ascensão do IPV6 - evolução do atual protocolo de internet utilizado hoje (IPV4) - tecnologia que irá possibilita que cada pessoa no planeta possua uma quantidade de IP's, tão vasta como a que temos hoje na internet inteira.

As teconlogias RFID e IPV6 , provavelmente são os próximos grandes pilares centrais de toda esta pervasividade, e tecnologias como o mutitouch screen e sistemas Wireless, são os responsáveis pelo processo de absorção de tais tecnoloogias de maneira mais rápida.Tecnologias são como atalhos, são utilizados como caminhos mais curtos e mais úteis, por algum atributo, para execução de determinada tarefa.

Como no mito da caverna de Platão, nos vemos em um caminho sem volta em que os impactos são tão profundos que acabamos nos tornando dependentes de todo este aparato.

Um novo contexto

O surgimento e absorção de novas tecnologias trazem uma série de impactos nas mais diversas vertentes sociais. Conceitos como propriedade intelectual, colaboração, auto-instrução, acessibilidade e entre outros ganham novos contextos com podendo crescer de diversas formas. Com a velocidade desta evolução é muito difícil traçar seus caminhos mas se compararmos os impactos das tecnologias emergentes devemos nos perguntar: Quais serão os desafios que a sociedade terá que lidar com o surgimento e absorção em ritmo acelerado de novas tecnologias? 

A velocidade da evolução é espantosa e seus impactos massantes, e nós absorvidos por um mundo virtual surfamos a beira de uma vida “sempre online”, nos tornando cada vez mais acessíveis conectadoe e dependentes.

Tecnologias emergentes como 3G e a sua aceitação por parte do público consumidor, nos demonstra um cenário futuro com possibilidades infinitas.

Vamos partir de um cenário já conhecido, a democratização de tecnologias como celular e a conectividade via internet que proporcionaram mudanças muito radicais em toda nossa sociedade, alguns dos valores que eram tomados como base hoje necessitam ser revistos e repensados.

Setores inteiros tiveram que se adaptar, e muitos asecenderam e decaíram a partir das reformulações sobre conceitos como: propriedade intelectual, licensa de uso, privacidade entre outros.

Podemos prosseguir através de uma analise sobre a popularização dos aparelhos com disponibilidade a tecnologia GPS, hoje sem sombra de dúvidas, contamos com uma legião ainda maior de "perdidos" que de fato conseguem chegar aos seus destinos de maneira ágil e fácil.

Mas existe alguma conseqüência sobre esta perpetuação da “desinformação” gerada pelas facilidades advindas da tecnologia?

Neste nosso pequeno cenário criado, a dependência sobre o funcionamento de uma tecnologia talvez não seja o maior dos problemas que enfrentamos ao automatizar processos.

Na maioria dos casos nos a sistematização nos proporciona maior agilidade e praticidade, mas até que ponto estes processos nos estimulam ?

Já não acentuamos mais nossas palavras, digitar demaniera completa ou correta já não é mais necessário, basta passar o corretor ortográfico, ou em casos mais extremos, utilizar um sistema de busca para fins de comparação entre seus resultados, como se a grande massa web fosse a fonte mais confiável.

Vamos observar outros processos:

Com utilização de celulares, temos o acesso rápido as pessoas o que por sua vez acabou tornando algumas pessoas mais mais descompromissadas de seus afazeres.

Com a Internet, temo um mar de informação, enciclopédias on-line completas que possuem como fonte uma origem duvidosa, criou um cenário onde diminuiu-se a disponibilidade das pessoas de pesquisamos mais diversas fontes procurando uma confiabilidade.

Com o GPS, já não precisamos saber andar nas cidades. Mas podendo colocar as pessoas em situações que colocam em risco, por exemplo se o seu trajeto passa por algum lugar violento da cidade.

O que nos leva a crer que a esse processo de automatização tecnológica em muitos casos acaba dando margem a processos de alienação e erro. Essa confiança cega do processo de automatizção, é um problema, mas aonde isso nos leva?

Até que ponto este processo é benéfico nos mais variados âmbitos humanos? Sejam eles, sociais, com a diminuição do contato das pessoas ou individualização dos prazeres através da incentivação advindas da sociedade consumista, ávida por novidades.

É de senso comum que nossos pensamentos são formados por referências em formato de malha, fruto de todas as nossas experiências e que tudo que aprendemos só pode ser consultado pelo cérebro pois existe uma série de referências que encaminham o foco do pensamento. Se limitarmos nossa experiência a processos automatizados e de decisão estamos fadados a uma limitação de nossa própria capacidade mental.

Tarefas cotidianas são adaptadas constantemente para que possamos nos beneficiar de uma maior versatilidade e praticidade através no uso, mas até que ponto isto representa um avanço?

A aprendizagem é o processo que repassa uma série de critérios à conduta de um indivíduo, sendo possível de ser trasmitido através de condicionamento operante, experiência ou o conjunto destes. O que o ser humano aprende, por assim dizer, é o fruto de toda a experiência seja com outros indivíduos ou com seu meio.

Levando isso em consideração, quais são as implicações de continuarmos esse tipo de evolução tecnológica que diminuem a quantidade de estímulos e referências, por automatizações totalmente voltadas à função?

Existe, ou deveria existir uma limitação dos avanços tecnológicos para que o ser humano possa evoluir?

O ser humano é o resultado da herança genética, do meio ambiente e da educação, se estamos alterando um destes fatores, podemos estar interferindo de maneira muito brusca diversas relações e isso mostra que conceitos de ética no design ganharão novos patamares.

Dentro desta Era da Informação estamos rumando para uma "Internet das Coisas" onde seres humanos e objetos possuem os mesmos processos de identificação perante a rede. Um combinado onde tudo pode ser identificado e rastreável através dos mais diversos caminhos.

Estamos a beira de um mundo muito diferente, um combinado de tecnologias invisíveis que desafiarão nossa lógica e tomarão nossos ambientes e isto colocará em discussão muitos outros fatores ou necessidades humanas como privacidade e propriedade.Conceitos como pricavidade e propriedade ficará totalmente perturbado colocando em discussão os vários impatos sociais desta conduta.

Ambientes que contam com uma menor exposição das tecnologias trazem uma série de questões éticas em pauta, como por exemplo: Quais informações este aparelho tem registro, para onde vão esta s informações

Estamos nos colocando em uma prisão que onde o próprio meio é o nosso supervisor uma espécie de Panopticon (Michel Foucault), onde dificilmente seremos as figuras controladoras, um sistema que centraliza todos os registros de movimentação relacionados a tempo e espaço, parece ruim ?

É o preço.

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