Este Wiki é para o desenvolvimento de um artigo sobre Vídeos Sociais, a partir das propostas do projeto Conectando Conteúdos. O texto "Assista seus amigos assistindo vídeos" é o gerador das propostas deste artigo.
Vídeo Social: Proposta de interação por vídeo na Web
Resumo
Ao se verificar as manifestações dos usuários em sites compartilhamento de vídeo, como o Youtube, percebe-se que estes sites disponibilizam poucas funcionalidades que facilitem as interação entre os usuários. A partir desta constatação são feitas propostas de interação através do uso do vídeo, linguagem comum neste tipo de site.
1. Introdução
Lançado em 2005, o Youtube foi pioneiro em permitir fácil publicação e compartilhamento de vídeos na internet, disponibilizando um acervo com grande variedade de filmes, videoclipes, animações e materiais caseiros, que podem ser publicados em sites, blogs, e-mail, entre outros.
Hoje, ele é o serviço de vídeos mais popular da internet, bem à frente de seus concorrentes: para se ter uma dimensão desta diferença, o Youtube marcou 5.9 bilhões de vídeos visualizados em maio de 2009, enquanto o segundo lugar, o Hulu, contabilizou 380 milhões[1].
A revista norte-americana "Time" elegeu o Youtube como a invenção do ano de 2006, afirmando que este era "uma nova forma de entretenimento para milhares de pessoas". O site foi comprado pelo Google por um valor de US$ 1,76 bilhão, no mesmo ano. Atualmente, além de funcionar como espaço para que qualquer usuário possa publicar suas produções e de receptor de vídeos gerados pela mídia de massa, ele também é utilizado como fornecedor de conteúdos para programas de televisão (como "Pânico na TV", "CQC" e jornais), que utilizam seus vídeos como conteúdo.
Junto a sites como Delicious, Flickr, Gmail entre outros, o Youtube foi também um dos primeiros exemplos de "Web 2.0", o paradigma de websites colaborativos identificado por O'Reilly (2005). Dentre suas características, estão, por exemplo, explosão das redes sociais e as facilidades para publicação e visualização de conteúdos.
O Youtube acompanhou esta mudança no modo de se ver e fazer Internet, que aconteceu por diversos fatores como a difusão tecnológica, movida do barateamento de equipamentos eletrônicos e pela popularização das ferramentas de produção de conteúdo (computadores pessoais, câmeras fotográficas, filmadoras e, principalmente os celulares, que reúnem todas estas funções) e a transição de internet discada para banda larga [explicar diferenteça, talvez em nota de rodapé], que permitiu acesso a conteúdos como produções vídeo, que costumam consumir mais tráfego de dados que outras mídias.
Outra importante mudança aconteceu no posicionamento do usuário na internet, que deixou de ser passivo, para ter uma participação ativa dentro rede. Pode-se dizer que hoje está em declínio o modelo de desenvolvimento da indústria tradicional, baseado na introdução vertical de produtos genéricos a partir de um nivelamento de um determinado "público-alvo", e a mudança de comportamento dos consumidores vem definindo um novo uso social da produção industrial, baseada na horizontalidade de produção (VAN AMSTEL, 2008).
Sobre o Youtube, Lovink (2008) afirma que "nós não mais assistimos filmes ou TV; nós assistimos bases de dados." Escolhemos nossa própria programação à partir de uma oferta infindável de possibilidades, porém, o resultado depende de nossa capacidade de filtrar tais informações. A seleção de um especialista humano não é considerada tão isenta e precisa como um banco de dados. Tentamos diversas combinações de termos de busca, exploramos registros similares, navegamos a esmo, tentando suprir a carência de consumo cultural.
O site Mashable divulgou um estudo recente[2]
da The Nielsen Company mostrando que a quantidade de tempo mensal gasto
por norte-americanos vendo vídeos pela internet, que chega há 3 horas
por pessoa, um aumento de 53% em comparação com o ano de 2008. O tempo
gasto usando a internet também aumentou, chegando a pouco mais de 29
horas mensais. Estes dados demonstram que o uso da internet e da
visualização de vídeos pelo computador vem ganhando interesse e espaço
no cotidiano dos usuários.
2. Funcionalidades para sociabilização
E como acontece, socialmente, o uso dos vídeos do Youtube? O recurso "Incorporar"[3] com certeza, é um grande fator para difusão dos vídeos, já que o Youtube não permite que os vídeos sejam descarregados, do site para o computador, por exemplo. O "Incorporar" funciona para que os vídeos sejam conhecidos e discutidos: ao colocar um vídeo em seu blog ou seu perfil no seu orkut, o usuário estende o alcance do Youtube, que, desta maneira, tem seu conteúdo espalhado e sendo visualizado por toda a internet, que gera interação entre usuários, mesmo fora do seu site.
Um dos primeiros serviços de compartilhamento de vídeos que surgiu, antes mesmo do Youtube, foi o Videolog.com.br surgiu, não obteve sucesso. Alguma das razões podem ter sido o viés econômico deste serviço, ou talvez por seguia a lógica do fotolog e do blog pessoal, que eram populares na época. Um dos diferenciais encontrados no Youtube é o de ver o usuário como publicador de conteúdo para outros, e não apenas um serviço propondo a idéia de "diário virtual". Este modelo pode ter ajudado o no início, mas se tornou usual, e é oferecido por praticamente pela grande parte dos sites de vídeo da internet.
De um modo geral, as principais ferramentas do usuário são: Caixa de comentário, adição de Amigo, produção de Canal e eventuais hotsites [Explicar hotsite] especiais, como o "Youtube Symphony Orchestra", que disponibilizou partituras de uma composição musical e pediu aos usuários que enviassem vídeos executando estes trechos, para que depois execuções fossem compiladas em um único vídeo. Mesmo sendo interessante, esta é uma proposta de interação mediada pela edição do próprio Youtube, e não diretamente entre os usuários, que já vinham remixando vídeos entre si, antes mesmo da proposta do "Youtube Symphony Orchestra",
Apesar de oferecer bons recursos, percebe-se que, no Youtube, as possibilidades de interação entre os usuários são restritas a poucas possibilidades. Existem poucas ferramentas realmente direcionadas para socialização, sendo que a maioria visa à publicação de vídeos e verificar dados destes. O usuário, por exemplo, é apresentado sobre a metáfora de ele ser um "Canal", e a visão de "Comunidade", dentro do site, é bem diferente de outras redes sociais populares, como o orkut por exemplo .
O Youtube permite que sejam publicados comentários nos vídeos, e ao publicar um vídeo, que este seja indicado como um "Videos-resposta", mas não há ferramenta que eu possa criar um vídeo em referência à outro, e que estes sejam exibidos simultânea, ou de forma mixada ou conjunta.
O site se utiliza do usuário principalmente no que diz respeito a tornar a navegação entre os vídeos mais fluida, sugerindo vídeos que sejam do interesse, sempre baseado em informações coletadas dos usuários, e assim funciona, por exemplo, a busca por vídeos e as indicações nos "Vídeos relacionados". Também podem ser incluídos comentários de texto nas páginas de vídeos, um recurso similar ao utilizado no formato de comentários em blogs. Os comentários nos próprios vídeos são uma grande inovação, recente, proveniente de sites de fotos, comoo Flickr, que já permitiam a marcação e indicação de locais para se inserir comentários dentro de um conteúdo.
Os usuários exploram as ferramentas que o Youtube dispõe, de diversas formas. Algumas foram barradas, por conflitarem com questões legais: um usuário não podem disponibilizar no site um conteúdo que foi gerado por terceiros (no caso, grandes empresas de comunicação) nem utilizar, em seus vídeos, as músicas de artistas de grandes gravadoras. Porém, é muito difícil o controle do Youtube sobre todo o material que é enviado, mesmo em problemas recorrentes, como a questão da pornografia (já que a exibição da nudez é proibida no Youtube [pegar referência que mostre isso]).
É inevitável que os usuários se utilizam da tecnologia do Youtube para criarem seu modo de utilização daquele espaço, mesmo se a utilização desejada por eles não está proposta ou facilitada. Eles reaproveitam vídeos, remixam-nos, se expõe, criticam, manifestam, criam novos vídeos e novas histórias a partir de trechos de outros meios, como cenas de jogos, animações (como na expressão artística da Machinima[4]) e filmes, entre outros trabalhos com a linguagem audiovisual.
Porém, ao analisar o Youtube, sua interface e o modo como os usuários lidam com os vídeos e utilizam o site, percebe-se que o Youtube não disponibiliza recursos para facilitar a interação entre os usuários, propondo algumas formas de interação através de comentários e texto mas deixando de trabalhar com a interação através da própria linguagem que o site valoriza: o vídeo.
3. Propostas de interação por vídeo
Os autores propõe neste artigo, a possibilidade de se estudar a interação entre os usuários através do vídeo, tendo como hipótese de que existem manifestações e interesses de interação por parte dos usuários, mas que estas não estão sendo facilitadas.
O funcionamento do Youtube e suas metáforas (como Canais, entre outros) indicam que seu foco é na publicação de conteúdos. O usuário não é visto, a princípio, como um expectador dos vídeos, mas como um produtor audiovisual que tem um canal para exibição de suas produções. Assim, se o interesse principal do usuário não for de ser um produtor de vídeos, sua atuação fica restrita.
Porém, o usuário que não pensa em criar vídeos, seja por não achar um objetivo, por ter medo, ou por pensar que não tem capacidade, pode atuar com outros papéis dentro da comunidade do Youtube. Assim como em um blog, diversas vezes os comentários de um texto podem ser mais interessantes que este, podemos pensar que este tipo de usuário pode contribuir com a publicação de vídeos não somente através da introdução de novos dados, mas também através de metadados para outros vídeos. Metadado, do modo como expomos aqui, é um dado que é visualizado tendo como ponto de vista que um outro dado, interligado com aquele, é o centro desta análise. [discorrer mais sobre os Metadados]
Assim, propõe-se uma nova funcionalidade para sites de compartilhamento de vídeos como o Youtube: ao ver um vídeo, poder ver também, simultâneamente, os vídeo das reações dos amigos que estiveram assistindo aquele mesmo vídeo. A idéia é que o usuário use uma webcam para gravar a si mesmo enquanto assiste um vídeo e este ficar disponível para que seus amigos assistam, tanto o vídeo de interesse quando o vídeo da reação, em sincronia.
Para demonstrar a sensação de experimentar a funcionalidade, foi elaborado um protótipo (Figura 1) à partir da modificação da interface do Youtube para exibir, simultaneamente, o vídeo "Leave Britney Alone" de Chris Crocker [colocar link para este vídeo] e as reações de três usuários ao ver este vídeo registrados por Stephanie Hough[5].
Figura 1 - Demonstração da funcionalidade de assistir seus amigos assistindo vídeos
Um usuário pode ver um filme e querer "mostrar" ele para alguém só para ver as reações desta pessoa, ver ela se espantar, se interessar, não gostar ou dar uma opinião. Mesmo já tendo visto um filme muitas vezes, ao vê-lo com outra pessoa eu posso tornar a visualização daquele filme novamente interessante, porque há outra intenção, e abertura para novas experiências. Para além desta idéia, o próprio convite a outra pessoa já pode estar cheio de significados e intenções, fazendo do vídeo um pretexto social. Uma pessoa pode ser aproximar de alguém e utilizar o convite para assistir um vídeo como pretexto.
Uma busca no Youtube pelos termos "reaction watching" [colocar link e verificar material sobre isto] [6] retorna centenas de resultados [confirmar o número] com vídeos de reações de pessoas vendo outros vídeos, o que leva a acreditar que há um interesse dos usuários por este tipo de funcionalidade no site.
Mesmo o Youtube não possibilitando tal funcionalidade, vale ressaltar analisar que outros sites proporcionam experiências similares. Serviços como o Vimeo e o Viddler permitem uma customização maior da visualização dos vídeos, e a transmissão de vídeos "ao vivo" já é um diferencial descoberto por sites concorrentes como Ustream, Mogulus, Justin.tv e Stickam, para aumentar a interação entre os usuários. O diferencial do vídeo "ao vivo" é que as possibilidades de interações são imensas, já que o produtor do vídeo pode responder, na hora, a um comentário, reação ou acontecimento. Este fator "ao vivo" nos remete ao instantâneo, ao que está acontecendo naquele exato momento, e é fundamental para que se pensar em interação.[discorrer mais sobre o "ao vivo". buscar bibliografia]
Outra proposta de funcionalidade para vídeos sociais aparece na metáfora do Cinema. [Estudar mais o Cinema] O Cinema tem uma cultura particular e é comumente relacionado a um dos melhores níveis de entretenimento que se pode ter relativo à experiência com o audiovisual. A metáfora do Cinema, levada ao Youtube, sugere um local de visualização coletiva de vídeos, onde se possa unir usuários com algum tipo de informação comum que será exibida simultaneamente para todos, com áreas de interação para seja possível trocar impressões sobre a informação em comum que estão experimentando.
A última funcionalidade proposta é a de transmissão coletiva e em sincronia de conteúdos, ao vivo ou gravado. É a possibilidade de que vários celulares ou filmadores gravem um mesmo objeto, como um show, e que possam ser exibidos em sincronia, para que o usuário que está visualizando o vídeo possa "pular" de uma câmera para outra, escolhendo a visualização que mais interessar, ou até mesmo assistindo o mesmo objeto de gravação através várias câmeras, ao mesmo tempo. É uma funcionalidade que a possibilidade do usuário "navegar" pelas "telas' pelas câmeras de outros usuários, sem precisar ser guiado por uma edição de gravação criada por terceiros.
4. Considerações finais
Uma razão para o Youtube não propor inovações de interação por vídeos pode estar ligada ao problema que elevem sofrendo pela falta de um modelo comercial que cubra seus custos, que não são baixos: seu sistema recebe cerca de 13 horas de novos vídeos por minuto[7] . Este pode ser um fator que limite o direcionamento do site para as funcionalidades como as aqui propostas, que demandariam muito mais banda, servidores e custos para manter esta hospedagem de conteúdo.
Além deste fator, para participar mais ativamente destas propostas, o usuário precisa de mais banda. No Brasil, por exemplo, a banda larga ainda tem uma velocidade de transmissão de dados baixa (comparado a outros países).
As propostas aqui apresentadas são só um passo para acompanhar, facilitar e potencializar as interações que já são realizadas pelos usuários.
4. Referências Bibliográficas
LOVINK, Geert. The Art of Watching Databases. In: LOVINK, G; NIEDERER, S (eds.), Video Vortex Reader: Responses to YouTube, Amsterdam. Institute of Network Cultures, 2008.
O ́REILLY, Tim. What Is Web 2.0. Disponível em:<http://www.oreillynet.com/pub/a/oreilly/tim/news/2005/09/30/what-is-web-20.html> Acesso em: 25/06/2008.
VAN AMSTEL, Frederick van. Das Interfaces às Interações: design participativo do Portal BrOffice.org. Curitiba, 2008. Dissertação (Mestrado em Tecnologia) - Programa de Pós-Graduação em Tecnologia, UTFPR.
Ver: Outras Referências bibliográficas
[ consultar e selecionar ]
- Livro VIDEOBLOGGING;
- Geert Lovink and Sabine Niederer (eds.), Video Vortex Reader: Responses to YouTube, Amsterdam: Institute of Network Cultures, 2008. ISBN: 978-90-78146-05-6.
-
Publicly private and privately public: Social networking on YouTube
PG Lange - Journal of Computer-Mediated Communication, 2008 - Vozes da favela, imagens da memória-a produção de experiências a partir do youtube, PFM Machado - intercom.org.br
- Renó, Denis, (2007).YouTube, el mediador de la cultura popular en el ciberespacio. Revista Latina de Comunicación Social, 62.