Teoria da Atividade - Aplicando a Brincadeira


Este post tem como objetivo apresentar a aplicação de uma brincadeira na atividade estudada em aula, e analisada segundo a Teoria da Atividade de Engestrom.

Teoria da Atividade

A atividade

A atividade em questão é uma reunião de trabalho, que ocorre semanalmente numa empresa de desenvolvimento de sistemas web. As contradições encontradas nesta atividade foram:

Regras x Objeto: pode ocorrer de, por atraso no início da reunião, ou porque foi gasto muito tempo na discussão de um tópico, não sobrar tempo para todos os tópicos serem discutidos.

Regras x Divisão do Trabalho: às vezes ocorre de uma pessoa não querer ser responsável por determinada tarefa, e dá os mais variados argumentos para alcançar seu objetivo, como falta de tempo, ou estar mais sobrecarregado que outros presentes.

Comunidade x Regras x Resultado: há muitos momentos em que, por motivos de diferenças de personalidade, as pessoas não conseguem chegar num consenso em relação a um tópico. Quando isto ocorre, a decisão fica a cargo do líder.

A brincadeira

A brincadeira escolhida para transformar a atividade e tentar solucionar os conflitos foi o bastão elétrico. Apesar do objetivo da brincadeira ser o último a sobrar na roda (ou seja, de certa forma é preciso torcer para que o outro derrube o bastão), a intenção é de implementar a mesma dinâmica da brincadeira (você precisa pegar o bastão deixado por outro, e deixar o seu bastão com uma outra pessoa), mas com o objetivo de implantar um sentido colaborativo para a mesma. Ou seja, é preciso pegar o bastão deixado pelo outro de forma ágil (você não pode abandonar a tarefa deixada para você; ou seja, ninguém pode fugir da responsabilidade); e é preciso deixar o seu bastão em condições para que o outro consiga pegá-lo (você tem que fazer a sua parte bem feita, deixando o terreno "bem preparado" para o outro). Com isso, o ambiente torna-se um ambiente colaborativo, consegue-se equilíbrio em todo o processo e harmonia entre todos os funcionários.

O resultado

Inicialmente, imaginava-se que o maior impacto da inserção da brincadeira na atividade seria nas Regras da mesma, como podemos concluir através do parágrafo anterior. Entretanto, observou-se que a grande mudança acabou ocorrendo na Divisão do Trabalho, onde a maioria dos membros da reunião conscientizou-se da necessidade de haver uma mútua colaboração, sem o qual não seria possível haver um progresso na atividade. Com isso, houve uma redução significativa no "grau de conflitância" observado nas contradições, apesar das mesmas continuarem existindo.

Acredito que alguns conflitos continuaram a existir, ainda que em menor grau, pelo fato de algumas pessoas não terem entrado na brincadeira, literalmente, apesar de afirmarem (mas apenas da boca para fora) que entenderam a proposta e que isto seria bom para eles e para a empresa. Não sei se o ambiente corporativo acabou sendo uma má situação para realizar este trabalho, pois tornou-se necessário interferir na forma de trabalho e na forma de comportamento do outro, que são fatores aos quais as pessoas não costumam ser muito receptivas, tampouco suscetíveis a grandes mudanças.

Entretanto, não tenho dúvidas de que se todos realmente entrassem na brincadeira, a atividade iria sofrer uma transformação ainda maior, tendo seus conflitos solucionados de maneira muito mais efetiva.

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