As comunidades virtuais e as classificações folcsonômicas podem ser analisadas como reflexo de uma mudança na forma de indivíduos lidarem com a cultura na contemporaneidade. Ambas são ferramentas disponíveis na internet e consideradas características da "Web 2.0”, termo que remete à mudança ocorrida no funcionamento da internet, em virtude da sociedade estar em transformação e acompanhando o desenvolvimento desta (Tim O'Reilly, 2005).
Esta conjuntura pode ser analisada a partir da perspectiva de Inter-culturalidade de Néstor Canclini (2007), que propõe a existência de indivíduos com identidades formadas a partir da intersecção de diversos "retalhos" culturais de culturas variadas e desconexas. Em comunidades imaginadas, como o Orkut ou o Facebook, os usuários podem fazer parte de praticamente qualquer comunidade e, tal como na metáfora do Supermercado Cultural Global de Gordon Mathews (2000), diferentes culturas estão disponíveis para serem consumidas. Da mesma forma, a disseminação das classificações por folcsonomia sugere indivíduos que não se identificam com classificações fixas e regradas, como a hierarquia da taxonomia ou do sistema de pastas de organização em computadores. Já a disponibilização de informações públicas, típica das ferramentas da Web 2.0, vai de encontro com a observação de van Amstel (2007) de que nas grandes cidades as pessoas perdem a sensação de pertencimento com comunidades geograficamente localizadas e passam a buscar identificação com comunidades transnacionais, onde a participação na mídia globalizada representa conquista de espaço para afirmação de identidade perante seu grupo e a sociedade. Ao negar a identificação com uma comunidade massificada, o indivíduo procura uma identidade “única”, misturando elementos de diferentes culturas. Estas reflexões integram o projeto Conectando Conteúdos do Instituto Faber Ludens e propõe um estudo onde o paradigma da inter-culturalidade identificado por Canclini se apresenta como um modo de analisar a cultura na contemporaneidade, a partir do fenômeno das classificações folcsonômicas e comunidades imaginadas.
GONZATTO, Rodrigo Fresse, van AMSTEL, F. M. C. Comunidades imaginadas e classificações folcsonômicas como manifestações da Inter-culturalidade In: III Simpósio Nacional em Tecnologia e Sociedade, 2009, Curitiba.
| Anexo | |
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| Trabalhocompleto_RodrigoGonzattoFrederickvanAmstel_GT13.pdf |




Comentários
Aprovado
Aprovado
Muito interessante.
Fico curioso com o caminho escolhido.
Mas, já correndo o risco de invadir a orientação, diria que a questão da Folksonomy está além e aquém da questão cultural... A necessidade ou, mesmo, a oportunidade da folksonomy é decorrente da falência de sistemas formais de classificação de informação, o que é um dado decorrente de Goedel, e não uma eventualidade do contexto de complexidade cultural contemporânea. A meu ver, não seria necessário recorrer ao arco cultural que os autores percorrem...
Mais um motivo para ver o que será apresentado.
Parabéns!
Cultura e folcsonomia
Olá Caio! Proponho que a classificação por folcsonomia, por suas características (como a construção de classifições pelo próprio utilizador dela, ou a disponibilização pública da classificação) possa ser analisada como um suporte da construção de identidades individuais (únicas). A classificação folcsonômica é aberta, flexível e mutável como a contemporaneidade e a situação intercultural. Então analisamos ela como um reflexo de uma vontade de indivíduos dentro de um contexto de inter-culturalidade. Uma classificação rígida, vertical e de comum acordo, por exemplo, parece condizer mais com contextos de conhecimento "sólido" (utilizando a metáfora de Zygmunt Bauman) e uma complexidade cultural diferente da que vemos na contemporaneidade.
Caio, pode falar mais sobre Goedel?
Me parece que a questão é mais simples e direta
Me parece que a questão é mais simples e direta: sugiro que não é necessário um arco teórico-conceitual tão extenso.
Digo isso porque, desde a década de 1940, sabe-se que uma estrutura formal de conhecimento, que também seja completa, ou seja, capaz de lidar com qualquer possibilidade decorrente de seus postulados, não é possível. Quem provou isso foi o matemático Kurt Godel, em dois teoremas a respeito da imcompletude de sistemas formais. O computador é um sistema formal -- uma máquina de estados finitos que pode computar apenas alguns tipos de informação (e apenas informação, o que pode ser óbvio...).
Isso significa que qualquer sistema de informação deve contar com alguma forma arbitrária de organização. O hipertexto é decorrente dessa descoberta: não é possível organizar um sistema eficaz de informação (para divulgação científica, como foi a proposta de Vannevar Bush) de maneira formal. Bush, sem sequer recorrer a Godel, propôe o Memex, que foi a principal referência para o hipertexto de Ted Nelson...
Gostaria de ver mais de perto a pesquisa, para entender qual é formato que propôe para as "folcsonomias"...
Re: Comunidades imaginadas e classificações ...
Re: Andressão's screens with English subtitles.
Re: Comunidades imaginadas e classificações ...
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