O nome poderia ser "Design liberto", "aberto", libertário", ou algumaoutra nomenclatura a ser definida. Design livre, aqui, é a mãe queensina o filho a cozinhar, ao invés defazer a comida que a filho gosta (Centrado no Usuário) ou chamar ofilho para cozinhar junto (Design Participativo).
É um passo para uma maior aproximação da cultura do design com o hack e a gambiarra, onde quem não gosta de algo pode alterar, arrumar, melhorar, transformar ou personalizar.
No Design Centrado no Usuário, um grupo de designers volta seu olhar para os usuários. No Design Participativo, o designer se junta aos usuários para projetar. No Design livre, a proposta é de que os "designers" transformem "usuários" em designers, problematizando, inclusive, estas categorizações.
A partir daí, aqueles primeiros designers apenas colaboraram, assessoram e sugerem ideias para o projeto que estes usuários, agora são designers, vão desenvolver.
Esta proposta surge na discussão em torno dos pontos fracos encontrados de metodologias como a do Design Centrado no Usuário. Ao perceber que ele gira em torno de uma espécie de "Design centrado em Outros", resultando em insuficiências (que tentam, por exemplo, ser resolvidas com pesquisas sobre usuários), porque não pensar em algo mais próximo do "Design centrado em Mim", aproveitando os pontos positivos que este oferece?
Porém, tão difícil quando conceber o "Outro", também há enormes dificuldades na concepção do "Mim". Então, juntando os dois, podemos explorar as possibilidade de fazer um “Design pensando em Nós”, ao invés do “Design centrado Neles”.
Imagine o Design Livre como uma abordagem de Design Social. Ou, então, como um serviço. Talvez este seja apenas um modo de resumir os mais evidentes problemas de algumas abordagem do design à um problema de ensino e educação. O que interessa, nesta proposta, é começar a pensar em novas propostas de design, que ajudem a criar uma sociedade mais crítica e dê poder para as pessoas.



Comentários
Reflexões
Gostaria de marcar que este post surgiu a partir de reflexões sobre metodologias de design e de pesquisa e sobre as aulas de Design Social, especialmente as discussões da disciplina de Sociologia da Técnica.
Design Livre & Design com Softwares Livres
A proposta de Design Livre não deve ser confundida com o "Design com Softwares Livres". Esta importante discussão já vem crescendo e que, às vezes, também aparece com nome de Design Livre.
Uma proposta próxima a da minha descepção de Design Livre, encontrei em neste texto de Fábio de Sousa, "Um design livre para todos":
E que tal um Design Descentrado?
Penso que um Design Livre seria um design descentrado, sem um foco pré-definido. Os próprios livre-designers iriam decidir que foco dar ou não dar.
Isso aproxima um pouco da noção de Design Popular, mas os estudos nessa área ainda são escassos. O Rodrigo Boufleur fala que a gambiarra é algo como um design centrado nas condições circustanciais que o usuário enfrenta. Fico imaginando como um sistema poderia suportar e incentivar a gambiarra, de modo a auxiliar esse processo de solução circunstancial.
A Ellen Lupton tem um joguinho bacana que o jogador é convidado a combinar objetos do dia-a-dia para fazer novas funções. É um jogo de gambiarra.
Design para todos
Existem algumas iniciativas nessa direção, como o livro "Desenhando o Mundo - Conversando com as Crianças sobre Design" de Antônio M. Fontoura voltado para o público infantil, e o projeto piloto "Massive Change in Action" aplicado no ensino médio canadense para formação de agentes de mudança - cidadãos que pensem como designers.
A proposta do movimento "Massive Change" é formar cidadãos designers que sejam uma síntese de artista, inventor, mecânico, economista e estrategista. Resumindo, formar uma sociedade de Leonardos da Vinci. Ousado, não?
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