O corpo humano é talvez a máquina mais complexa existente, ele é tão complexo que nos pegamos facilmente controlando uma parte, como a fala, mas deixando outras, como os olhos, nos trairem. Em um processo de flerte, não conseguimos identificar sinais que identificam aproximação ou distanciamento (quem criou o homem poderia ter feito um manual de instruções bem detalhado não?), na verdade, estudos indicam que entre 60% a 90% de toda a nossa comunicação é feita através de movimentos não-verbais. Ciências de várias ordens, como psicologia, linguagem corporal, código facial (FACS) e análise de micro-expressões tentam criar um "dicionário corporal", que acreditamos, nunca terá uma edição definitiva.
Idéia de artefato: Um visor em formato de óculos, que faz análises corporais através de sinais como: expressões faciais, movimentação ocular, disposição dos membros inferiores e superiores, sudorese e tom de voz, informando ao usuário o que a combinação desses elementos estaria indicando sobre a pessoa analisada.
Objetivos: Identificar quando uma pessoa estiver faltando com a verdade, principalmente nas seguintes situações: tomada de interrogatórios policiais, auxiliar na obtenção de diagnósticos médicos, complementar sessões de psicólogos e terapeutas, auxiliar na relação pais-filhos. Ela poderia ser utilizada também de formar mais recreativas como uma ferramenta durante a paquera ou em jogos de apostas como o poquer.
Possibilidades de funcionamento: O usuário colocaria o visor em forma de óculos e receberia uma análise da pessoa em destaque no visor, o visor salientaria os pontos que indiquem que a pessoa não esteja falando a verdade, um indicador informando se a pessoa fala a verdade, incluindo a porcentagem de confiança no cálculo dessa verdade/mentira.
Problemáticas e questionamentos: As relações humanas seriam totalmente afetadas, um dispositivo como esse poderia ser facilmente aceito para tomada de interrogatórios, mas como um filho sentiria-se caso seu pai, ao perguntar o que ele fez na noite passada, estive-se usando um dispositivo como esse? sentimentos como confiança e desconfiança teriam formas totalmente novas de serem avaliados, a percepção seria basicamente de estarmos "lendo mentes". Como daria-se uma conversa entre duas pessoas usando o dispositivo, provavelmente seria mais fácil ficarmos em silêncio, sem falar ou ouvir nada para evitarmos de sermos traidos.
Autores: Daniel R. Werle, Diógenes Lazzarini e Manoel dos Santos

Comentários
Adequando para uso comum
À primeira vista a idéia me assustou um pouco, mas refletindo um pouco, imaginei que poderíamos adequar o artefato para uso comum.
A linguagem corporal pode se diferenciar de cultura para cultura e de indivíduo para indivíduo, além de estar o tempo todo sofrendo modificações.
Pensei no hardware chegando ao usuário como um sistema limpo (sem registros), onde o próprio indivíduo pudesse montar sua biblioteca e alterá-la constantemente.
Alguns códigos poderiam ser registrados em 'gerais' ou 'grupo xxx', e outros em perfis exclusivos.
Benefício: o ser humano passaria a prestar mais atenção no outro que está ao seu lado.
*Alguém experimentando os óculos de outra pessoa, passaria a ver o mundo com ‘outros olhos’.
Desenvolvimento
Nome do projeto
Nome do projeto
Afetividade
Me lembrou o Love-O-Scope do Mikko Pitkanen, mas este é focado em relações afetivas. Interessante notar a exploração de possíveis impactos constrangedores que esse tipo de tecnologia causaria nas relações afetivas. Será que tudo precisa ficar tão explícito?
Love-O-Scope - Part 2 from susufasu on Vimeo.
Objetivo/Subjetivo
E, se o artefato não tentasse interpretar a subjetividade, evitando cair em problemas da diversidade cultural e das ambiguidades, mas se baseasse em ampliar a percepção, mostrando o que está acontecendo (e comparando com estatísticas e outros dados), deixando na mão do usuário a real analise e interpretação?
Exemplo para identificação de mentira: o óculos mostra se a temperatura corporal da pessoa aumentou em determinadas partes de uma conversa, se ela está suando, se está tremendo, com "tiques" nervosos e as nuances mínimas que nem sempre percebemos, mas que podem indicar uma mudança de comportamento, ou uma reação incomum...
Objetivo
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