SPC Político: recurso para uma participação política mais acessível

Laerte e a Política

Este é um dos projetos para a disciplina de Design de Interfaces , que consiste na identificação de um problema social e na proposta de uma solução para este. Neste texto é abordada uma modificação na interface entre cidadãos e políticos, a fim de dar mais poder para os primeiros, submetendo os segundos à um controle.

IDENTIFICANDO O PROBLEMA

Políticos se expõe publicamente tomando decisões, propondo soluções e discursando sobre o melhor para este, para aquele ou para todos. Mas aonde está este espaço público onde as coisas realmente acontecem? Qual é, de fato, o ponto de contato entre os cidadãos e seus representantes?

A interface entre estes não pode se resumir a um domingo a cada biênio. Quem são os políticos? Qual seu passado, suas propostas e alianças? Ele é idôneo? Seu ponto de vista representa o meu? Posso concordar com convicção em seu posicionamento? Como saber se o discurso condiz com a prática?

Os candidatos “disponíveis” em uma eleição são escolhidos por partidos, e os motivos destas escolhas nem sempre ficam claras para o cidadão comum. Quando buscam outras posições em suas carreiras políticas, sua trajetória nem sempre fez parte do cotidiano de quem terá que aprová-lo.

A quem estamos realmente dando poder? Como tomar decisões mais certeiras? De que maneira podemos facilitar que espectadores se tornem atores do principal palco das decisões que afetam toda a sociedade?

Reflexão e Proposta

A situação política parece estar sempre distante do cidadão comum. Iniciativas como a do site Transparência Brasil são um dos ótimos esforço para aproximar estes dois lados. Mas é necessário ainda mais.

Não é fácil eleger alguém. Fica a incerteza de quem este candidato vai indicar para ser de sua “confiança”. Isso é fácil de perceber no caso do candidato à presidência: elegem-se dois nomes (presidente e vice) que estão sob um partido e uma coligação mas, cegos, damos poder também para uma serie de outras pessoas, na confiança de que os eleitos faça um bom trabalho. 

Costuma-se dizer também que nós, brasileiros, não temos memória para política. Então podemos propor, com a tecnologia, uma extensão para esta memória.

PROPOSTA

Bennett e as Coligações Partidárias

Criar um sistema que permitafácil acesso à informações sobre política e políticos, através do registro permanente e de fácil acesso ao histórico da política em nosso país.

Tal como o “SPC”, que funciona para as empresas avaliarem se podem confiar nos consumidores, este novo sistema proposta funcionaria para cidadãos e eleitores decidirem se podem depositar sua confiança neste político.

Mais que isso, o sistema anotaria todas as promessas políticas daqueles que se candidatam e são eleitos, mostrando durante e após o mandato se o candidato cumpriu com o que prometeu. Também pode registrar as alianças políticas relacionadas ao candidato, demonstradas por links (mais ou menos fortes) com outros políticos, siglas e partidos.

Esta mesma proposta valeria tanto para candidatos, quanto para os partidos.

Porém, é necessário cuidado...

Outras funcionalidades possíveis são as impressões de “colas” e histórico de candidatos que o usuário pode confiar. O sistema também pode ajudar na seleção de candidatos e dar acesso às informações oficiais deste, além de planos de governo, etc.

O perigo está nesta informação “vazar” e ser acessada por pessoas má-intencionadas, já que o voto é secreto e questões a devenda e compra de votos ou o voto de cabresto (entre outras situações que impendem uma votação limpa e legítima) ainda são uma realidade no Brasil. Empresas de pesquisa e estatísticas de resultados eleitorais também podem se interessar por estes dados, elevando a problemática.

Para tal, o sistema pode ter uma funcionalidade automática onde os usuários podem ter nomes sempre fictícios e alterados, ou mesmo com um nome comum à todos os usuários. Entretanto, soluções mais eficazes seriam urgentes. Aliás, isso traz um ponto pouco abordado sobre as urnas eletrônicas: o que acontece com as informações que estão gravadas nelas, depois das eleições?

O que nos leva a pensar em outros pontos importantes

E como os cidadãos que não tem acesso à internet poderão ter acesso à este sistema? De que maneira torná-lo próximo destas pessoas?Quem vai cuidar deste sistema? Quem o manterá, cuidará e vai arcar com seus custos e despesas?

Mais do que receber as informações, realizar o discernimento do que está sendo dito e interpretar os discursos é um trabalho contínuo e nada fácil. Um trabalho para cada um de nós, mas que deveria estar aliado a uma situação onde informações estejam acessíveis de modo universal, transparente e o mais completo possível.  

Estas são só algumas das decisões políticas a serem consideradas em um projeto como este. 

Comentários

Sobre este texto

Algumas observações:Resisti à abordar questionamentos sobre sistemas políticos e àlegitimação da democracia em nosso sistema político. Mais ainda,evitei entrar na questão como o do funcionamento do poder e àhermenêutica do sistema político brasileiro. Assim, me ative atentar propor um modo de melhorar um pouco a participação políticadentro do sistema atual. Mas, a quem interessar esta conversa, temosa área de comentários, aqui :)

Rede Sociais

Creio que as redes sociais criaram um espaço na mídia não monopolizado onde a voz do cidadão comum pode ser ouvida. Porém, esse espaço é efêmero e desorganizado, além do que as informações não tem credibilidade. 

Seria bacana se houvesse um recurso de reputação estilo Mercado Livre para conferir idoneidade aos participantes. É claro que isso criaria novos centros de poder com seus possíveis perigos de corrupção, porém, acredito que seja exatamente isso que seja necessário. Os políticos estão corruptos porque não tem competição. O conchavo e a troca de favores ameniza tudo. 

É importante também direcionar a rede para que não seja mero foro de troca de opiniões, mas também plano de ação. Da opinião pública à ação política. 

Redes sociais

Pensando em redes sociais, já pararam pra pensar quanto da vida pregressa dos futuros candidatos a cargos públicos está armazenado nas redes sociais de hoje? Assim como empresas buscam informações sobre candidatos a emprego, não seria possível que eleitores buscassem informações sobre políticos?

Vendo o outro lado da moeda, não há um risco de que dados da adolescência destes políticos os persigam em toda a sua carreira na vida adulta e possam ser usados por adversários?

O passado é agora

Bem apontado! Acho isso muito interesse. A foto da juventude de Obama, onde ele aparece fumando, fez sucesso estes tempos:

 Obama fumando.

As supostas imagens nuas da candidata à candidata, Sarah Palin, alcançaram recordes de busca nos tempos de eleições nos EUA. Mas as fotos nem existiam (só montagens).

Na natureza sempre deixamos rastros, mas podem ser mais difíceis de achar ou interpretar. Já no meios digitais tudo é mediado e em algum momento registrado, porém,através da internet também conseguimos fazer mais coisas anonimamente (conseguimos? completamente?)... parece que as coisas se equilibram, de maneiras desiguais.

O mesmo recurso (backup eterno das informações em sistemas digitais) que causa uma polêmica enorme, que pode causar medo em qualquer ser "digital", o de termos uma histórico virtuais e nunca mais podermos errar (tratei disso em um artigo sobre cyberbullying), também pode ser útil para conhecermos as pessoas, principalmente em se tratando de políticos. Mas será que não podemos errar... ou mudar?

Em um mundo onde a mudança constante é elogiada (Lojas Colombo 50 anos Mudando com você) temos que manter um histórico de pensamentos consios e retilíneos durante toda a vida? Me pergunto: será que nossa sociedade não vai ter que naturalmente mudar sua relação com os erros do passado, pois todos um dia terão vídeos na internet contando coisas inconfessáveis, textos e comentários com opiniões que já não refletem a atual, podcasts inocentes...

Fico imaginando como os escritores de biografias vão lidar com isso, em suas pesquissa, quando as celebridades futuras tiverem suas vidas descritas. Se um de nós que estamos discutindo  aqui neste post se candidatar ou trabalhar no meio político, será que o que estamos escrevendo pode ser usado contra nós? Projetos como o do Ruptura Tecno-Cult podem ser perigosos... hehe.

Redes Sóciopolíticas

Sobre as redes sociais e a falta de competição, imaginei uma rede em que as Comunidades pudessem formar novos Partidos Populares, fazendo competição aos tradicionais. Alguma forma de reputação interna e outra externa, imaginando aqui que a externa pudesse valer mesmo como uma votação ou pesquisa de opinião pública. Um grau mais alto de liberdade poderia legitimar o uso de próprio nome pelo usuário e mesmo seu Cadastro de Pessoa Física, para controlar a votação. Não valendo como votação oficial, talvez haja resultados mais reais. ;)

Um lugar em que todos são candidatos e os cargos são eleitos pelos votantes. Exemplo, um usuário José da Silva vai ao perfil do João de Souza e vota para que ele seja vereador, ou prefeito, ou deputado, ou senador, ou presidente...

Política e Educação

Hummm... criação de ferramentas para se permitir a ascenção política.

Pensei nisto aliado à educação: formação de grupos e trocas de poder e sistemas de relação política desde a escola (a política existe naturalmente em qualquer lugar, inclusive na escola, mas geralmente não é organizada ou explícita). Assim, desde crianças entenderiamos de política pela própria experimentação direta com os desafios das decisões e relações de poder, abrindo espaço para diferentes pessoas participarem ativamente e crescerem no meio, para além de circuitos como os de sindicatos/empresários/movimento estudantil/serviço social/famosos...

Re: Redes Sóciopolíticas

Gonçalo, como este sistema poderia quebraria a votação em pessoas por uma relação apenas de amizade (ou simpatia), para evoluir para uma escolha por competências?

Uma tática de propaganda política, que vem diminuindo (um pouco) sempre foi a de espalhar a imagem do candidato, sorridente, com seu nome e o número do lado. Para, assim, com a sensação de onipresença, a pessoa se acostumar e gravar a relação número-candidato e internalizar como um candidato simpático. Uma poderosa ferramento de embaralhamento semiótico para trabalhar na subjetividade... mas que sempre me deixou incomodado: que tipo de comunicação é esta? O que diz, além de que o candidato tem dinheiro para produzir estes cartazes/panfletos/outdoors e espalhar por aí? Encontrar informações realmente úteis para se tomar uma decisão é bem mais difícil.

Re: Rede Sociais

Concordo com este pensamento, Fred, e acho que o caminho é por aí. Mas, por se tratar justamente de política, será que um espaço "paralelo" que ganhasse força, duraria muito tempo? Como não deixar que este espaço competidorvire apenas um apoio ao centro de poder tradicional, tornando-o mais um trampolim para o velho poder?

Transportar da troca de opiniões para a ação é algo complicadíssimo. Mas se os flash mobs funcionaram durante algum tempo... será que ação pela internet vale também? Tenentismo Digital? rs

PPT

Lembrei agora da rede de informações de credibilidade duvidosa que roda em PPT's por email. Geralmente sobre fé, gatinhos, humor... e política.

Ciberdemocracia

Concepções da CiberDemocracia em Pierre Lévy  http://bit.ly/d2D4p4

Assembleia Constitwiki

Uns anos atrás, um figura inventou um barato cabuloso... http://assembleiaconstitwiki.org/ 

Vale FL$10.000 pra quem adivinhar o autor! 

Enviar comentário

The content of this field is kept private and will not be shown publicly.
Essa pergunta é para verificar que você NÃO É um robô spammer.