Idéia de artefato: Uma câmera fotográfica que não resulte em uma mídia visual, mas que registre informações não-visuais, através de reprodução de áudio, display que modela formas, identificação de formas gráficas e outras possibilidades, ligadas acesso a bancos de dados online.
Objetivos:
- Desenvolver uma forma com que a linguagem visual possa ser "traduzida" para outras linguagens, não-visuais.
- Criar um artefato com um sentido parecido com o da câmera fotográfica, mas com que não se utilize de imagens ou gráficos para registrar acontecimentos, lugares e situações. Que possa permitir que uma pessoa guarde informações para futuras consultas, mas que este registro seja único e identificável, para que, quando novamente acessado, resgate da própria memória do seu usuário, uma lembrança ou sentimento.
- E que seja, de uma maneira tão agradável quanto a fotografia, para quem não pressuponha a necessidade da visão.
Possibilidades de funcionamento: O artefato pode consistir em uma câmera fotográfica com várias funções reunidas. Por exemplo: ao bater uma “foto”, ela também grava o som ambiente. Quando o usuário acessar suas “fotos”, ele vai poder ouvir o áudio da foto com o som gravado naquele momento (a gravação deste som pode também transmitir a profundidade do som, através de sistemas de gravação em stereo ou tecnologias mais avançadas).
Tal como em uma escultura em relevo. A “foto” que a câmera vai mostrar em seu display também pode ser lida pelo tato, conforme as formas e nuances que a imagem possa oferecer, e que o deficiente visual pode identificar.
Com as tecnologias adequadas, a câmera também poderia se conectar a um banco de dados e identificar as formas e figuras da foto (como árvores, objetos, pessoas, etc) e narrar, em forma de áudio, o que é possível ser identificado na foto. O próprio fotógrafo também pode incluir estes "metadados" em áudio.
Problemáticas e questionamentos: A idéia deste artefato precisa ser aprofundada, para entender como deficientes visuais (desde o nascimento, por exemplo), podem entender características da linguagem visual que nunca tiveram acessos, como cores, luz e sombra? Será que há realmente necessidade destas? Ao traduzir a linguagem de um sentido para outro, há necessidade do receptor final conhecer a forma original da mensagem? Ou essa tradução deve tentar transpor os elementos (sentimento, surpresa, intenção) para esta nova linguagem? (na verdade esta é uma problemática da própria tradução de livros, especialmente da literatura).

Comentários
Poesia, please
Já existe algo similar ao que você está pensando, Rodrigo. A Touchsight ganhou o prêmio IdeaAwards esse ano.
Conheço cegos que adoram tirar fotografias, tanto quanto assistir televisão. Eles posam, querem saber como ficou e etc. Tudo isso porque a fotografia e televisão fazem parte do convivío social e a participação é essencial para afirmar seu status, suas relações.
Porém, acho que você poderia experimentar ao invés da transposição literal, a transliteração poética, como no projeto Blink and Buttons. Esta câmera tira fotos usando a lente de câmeras fotográficas de outras pessoas. Ela marca o ponto com o GPS e procura fotos tiradas naquele mesmo local.
Atualização neste post
Atualizei este post, reescrevendo alguns pontos da proposta, mas sem introduzir muitas ideias novas.
Tomei cuidado para não modificar o final do texto, ao qual o comentário do Fred (acima) se aplica muito bem. Ao comentário, acrescento: as percepções daquilo que pode não ser visto pelo deficiente visual pode ser estimulado pelas pessoas com as quais este convive. Há uma necessidade de "ver" para fazer parte da interação social, e de participar deste no "universo" visual, por ser uma parte importante para quem pode ver.
Penso, entretanto, que esta proposta de artefato como como um convite às pessoas que estejam focadas apenas no sentido da visão, para que estimulem outros sentidos e também façam parte de um "universo" além-do-visual.
Outra idéia para o seu
Outra idéia para o seu produto seriam captadores de cheiro que ajudariam a complementar a representação do momento.
Mileni
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